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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Chinês de 84 anos quer fazer operação para mudar de sexo

G1
14/06/2012

Um chinês de 84 anos quer fazer operação para mudar de sexo, relata o ShangaiList.

Qian Jinfan, um funcionário público aposentado que mora em Foshan, diz que sente que deveria ter nascido mulher desde os três anos de idade, segundo o jornal.

Qian casou com uma mulher aos 54 anos e teve um filho, mas os dois, assim como os pais dele, não sabiam do desejo de Qian, de acordo com o site.

Quando fez 80 anos, ele decidiu começar a se vestir como mulher e a passar por terapia hormonal para aumentar seus seios.

Para a lei chinesa, quem quer mudar de sexo tem que viver pelo menos dois anos como o gênero oposto para a cirurgia ser aprovada, diz o Shangai List. Atualmente, Qian veste-se como mulher em eventos sociais, usa banheiros femininos e escreve "Homem-para-Mulher em transição" em formulários.

"Eu fiquei esperando por uma grande novidade médica" disse, desapontado, citando que o procedimento tem muitos riscos. Agora Qian espera fazer a operação para mudar de sexo, mas há complicações médicas adicionais devido a sua idade.


Disponível em <http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/06/chines-de-84-anos-quer-fazer-operacao-para-mudar-de-sexo.html>. Acesso em 16 jun 2012.

sábado, 9 de junho de 2012

Oficial da Força Aérea Real muda de sexo aos 80 anos

Extra Online
30/04/2012

Um oficial da Força Aérea Real britânica é o primeiro homem do mundo a se submeter a uma cirurgia para mudar de sexo aos 80 anos, revelou o jornal “The Sun” deste domingo. Antes chamado de James, ele já vive como Ruth Rose e disse que desde os 9 anos tem vontade de ser uma mulher. Mas somente agora, depois de uma carreira de sucesso como piloto, criou coragem para transformar seu sonho em realidade.

- É lindo pensar que finalmente serei o que sempre quis. Minha vida floresceu. Além disso, tenho tido muito reconhecimento desde que tomei a decisão de fazer a cirurgia - disse James.

Ele contou ser sido casado por 42 anos, até a esposa descobrir que gostava de vestir-se como mulher em casa. Em público, o visual feminino foi adotado há dois anos por esse pai de três filhos. A cirurgia para a mudança ainda mais radical está marcada para outubro do ano que vem, quando já tiver completado 80 anos. O piloto disse já ter se cansado de fingir ser o que não é:

- Eu sabia que a feminilidade estava dentro de mim. Agora, só quero ir em frente. Meu coração e pressão arterial estão em boas condições e os médicos disseram que eu não sou muito velho.


Disponível em <http://www.folhadosertao.com.br/portal/noticia.php?page=noticiaCompleta&id_noticia=8142>. Acesso em 08 jun 2012.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Transexual paulistana é a mais velha a fazer cirurgia de "troca de sexo"

Mariana Versolato
01/04/2012 - 09h45

A cabeleireira aposentada Andréia Ferraresi, 68, de São Paulo, é a transexual mais velha do país a fazer uma cirurgia para troca de sexo. Registrada ao nascer como Orlando, ela esperava pela operação desde 1979, quando recebeu o diagnóstico de transexualidade. 

Sem dinheiro para pagar pelo procedimento, teve que aguardar até que a cirurgia fosse feita no SUS. Foi operada no dia 27 de fevereiro, no HC. Leia o depoimento concedido por ela à Folha.

"Sofri muito na vida por um conflito de identidade e esperei por essa cirurgia desde 1979, quando procurei o HC e recebi o diagnóstico de transexualidade.

Na época, o SUS não fazia a cirurgia. Quem fazia eram os médicos particulares. Fui a dois e me cobraram um preço exorbitante. Minha mãe disse que não tinha dinheiro e eu entendi. Ela já sofria, se sentia culpada por mim.

Sou a caçula de 11 irmãos e todos eram "normais". Os irmãos que nasceram pouco antes de mim eram homens e minha mãe queria que a última fosse menina. E nasceu uma menina, mas com os órgãos que os outros tinham.

O sofrimento sobrou para mim, com "bullying" na escola e aquele conflito de você sentir uma coisa e não ser o que você sente.

Na infância, só brincava com as meninas. Um dia, no colégio, ganhei uma boneca na rifa e os meninos falaram: "Mariquinha, mariquinha!". Eles pensavam que estavam me ofendendo, mas quanto mais falavam mais orgulho eu sentia da boneca.

Com 14 anos, peguei o vestido da minha irmã. O povo dizia que tinha caído certinho em mim. Minhas vizinhas me deram saias e comecei a usar roupa de mulher.

Quem aceitou mais foi minha mãe. Ela sempre quis me proteger. Mas meu pai e um irmão me perseguiram até eu fazer os exames que provaram que eu era transexual.

Quando saiu o diagnóstico me pediram até perdão. É muito ruim você se sentir reprimida pela própria família.

Ainda teve o regime militar. Os transexuais sofreram demais com perseguições policiais. Cheguei a ficar um mês na prisão, mas o juiz me soltou. Viram que eu não tinha perigo nenhum, nunca fui criatura de beber, de vida fácil. Sempre tive meu trabalho de cabeleireira.

O tempo foi passando até que encontrei o CRT [Ambulatório para Saúde Integral de Travestis e Transexuais do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids], em 2009. Quando cheguei, estava numa depressão fora do comum, um trapo.

Comecei o tratamento com o psiquiatra, tomei remédios por um ano e fui encaminhada para a operação. Sou a primeira do ambulatório a fazer a cirurgia e vou abrir a porta para muitas que precisam.

Idade

O povo dizia: "Mas não é um pouco tarde para você fazer a cirurgia?". E eu respondia: "Não, eu ainda preciso viver, não vivi minha vida! Estou começando só agora".

Eu tenho idade de vovó, mas me sinto forte e feliz. A velhice está na cabeça das pessoas. Os homens, quando passam por mim na rua, falam: "Quanta saúde!".

Se eu puder pegar um forrozinho, eu vou, faço dança do ventre. Um médico me disse: "Do jeito que está indo, a senhora vai viver uns 95". E eu disse: "Quero viver ainda mais, doutor!".

A cirurgia mudou tudo. Esqueci aquele passado de sofrimento. O que interessa agora é daqui pra frente.

Fiquei muito satisfeita com o resultado. Não tem uma cicatriz. Parece que eu nasci assim. Estou até me sentindo mais bonita.

Já uso o nome Andréia Ferraresi porque um juiz me deu autorização, mas agora está correndo o processo de mudança de sexo também no registro. Quero que aconteça rápido porque preciso casar, preciso de um amor.

Estou solteira, mas a minha felicidade é tanta que namorar é coisa secundária. Quero um amorzinho, mas com o pé no chão. Ficar na vida promíscua eu não quero, porque hoje em dia a doença venérea está demais.

Eu transava bastante quando era mais nova e não tinha Aids. Era um tempo bom. Pena que não vivi integralmente com essa periquita (risos).

Hoje me valorizo mais. A vida não se resume em sexo. Não é porque fiz a cirurgia que vou ficar no oba-oba. Eu fiz para mim, para a minha identidade, para me olhar no espelho e ver que sou mulher, não ver aquela coisa estranha que não estava combinando.

A cabeça da gente muda quando sai da mesa de operação. Ela elimina o que você tem de transtorno na sua cabeça. Fui solta de uma gaiola que me aprisionou por todos esses anos.

Hoje, a passarinha está voando, solta, feliz da vida. Os problemas parecem não ter o tamanho que tinham. Antes pensava que se não consegui um emprego era por causa de preconceito.

Hoje dou uma banana pro preconceito. Só importa que estou feliz da vida, mostrando que idade não tem nada a ver."

Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1069889-transexual-paulistana-e-a-mais-velha-a-fazer-cirurgia-de-troca-de-sexo.shtml>. Acesso em 01 abr 2012.